quinta-feira, 7 de abril de 2011

O retrato de uma sociedade marcada pela cultura da violência.

Hoje posso dizer sinceramente que tive um dia bastante atípico, começando por alguns acontecimentos na escola e à noite, ao chegar em casa, depois de um dia bastante conturbado, marcado inclusive por atos de violência, me deparo com a televisão noticiando o massacre na escola em Realengo, no estado do Rio e Janeiro. Estou muito triste, embora saiba que essa violência gratuita está sendo gerada no nosso cotidiano. Pergunto: Porque apesar de tantas evidências dar-se tanta ênfase a violência na mídia? Quando a humanidade vai perceber que está marchando rumo a sua autodestruição? Não se nutre mais respeito pelos outros e a manifestação de violência é gratuita, diária, corriqueira, entre adultos e crianças, contaminados por esta “cultura de violência” no sentido literal da palavra cultura (do latim colere, que significa cultivar), “aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade”(wikipédia). É notório que, o que mais a sociedade contemporânea cultiva continuamente é essa cultura, esse hábito de vigar-se, sobrepor-se, dar-se bem a qualquer preço, a qualquer custo.
     Vivemos um momento tão cruel que não nos é mais permitido perder, em nenhuma circustância. Se perdemos seja numa prova, num jogo, numa seleção de emprego ou em qualquer outra situação, somos marcados como fracassados, incapazes, incompetentes. É a violência da negação do outro, do poder acima de tudo, gerada pela competição exacerbada por status, dinheiro ou pelo simples prazer do “poder” de poder dizer eu sou melhor que você, eu sou mais forte, eu posso portanto lhe humilhar, espezinhar, fazer-lhe sofrer. E pensar que eu descrevo essas impressões a partir de observações feitas no contexto escolar, espaço onde até pouco tempo qualquer um julgaria pouco provável existir tamanha malícia, maldade, crueldade. Mas o fato é que a cultura da violência está tão enraizada em nós que as novas gerações já a tem como costume, crença, moral. Agora tudo (ou nada) se resolve com a violência, e o que mais me preocupa é notar que muitos pais e educadores incentivam essa prática e ignoram a obviedade de que pequenas conivências, omissões e permissividade, contribuem sobremaneira para que atrocidades como a de hoje (e de outros dias) continuem acontecendo.
     Precisamos rever valores...Urgente! Não dá mais pra ficar de braços cruzados frente a essa realidade de desamor e banalização da vida.

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