Li hoje algumas notícias relacionadas ao KIT GAY que o MEC provavelmente irá distribuir nas escolas em 2012. Trata-se de um conjunto de material didático destinado a combater a homofobia nas escolas públicas, incluinde vídeos, boletins e cartilhas com abordagem do universo de adolescentes homossexuais. A grande discussão entre os membros da comissão que irá aprovar ou não o material é se a cena de beijo entre duas meninas continua ou deve ser cortada. Embora concorde que o MEC tem que tomar uma iniciativa, penso que essa abordagem com cenas de beijo é precipitada. Vivemos numa sociedade que censura esse tipo de comportamento até nas novelas. Não é nada comum ver manifestações de afeto, carícias ou beijos entre casais homossexuais. Eu particularmente, nunca presenciei, embora tenha amigos gays. O MEC não pode simplesmente impor à escola, mais especificamente ao professor a tarefa de apresentar essa discussão aos alunos, ainda mais os de tão pouca idade (entre 7 e 10 anos). Como posso abordar com meu aluno esse tema de forma tão enfática se o mesmo desconhece essa prática? Para ele, assim como para a maioria das pessoas da sociedade brasileira, isso é abominável, escandaloso.
O que conhecemos, sabemos e presenciamos cotidianamente são manifestações de violência, comportamentos homofóbicos por parte inclusive de professores. Por que não aprovar antes a lei que torna crime a discriminação e a censura de manifestação de afeto entre casais homossexuais em locais públicos onde é permitido aos heterossexuais? Essa proposta está na câmara e já corre boatos que não vai ser aprovada. Então querem que nós, professores e professoras, tomemos a tarefa de inserir no contexto escolar uma discussão que o Estado Federativo em si, faz como Pilatos, lava as próprias mãos. Como vão garantir que essa campanha seja efetivamente realizada nas escolas, quando os próprios professores não estão preparados para tal? E os familiares dos alunos, aqueles que discriminam e até maltratam física e psicologicamente seus filhos por apresentarem tendência ao homossexualismo? Acham que estes irão permitir que a escola os “incite” a essa prática considerada por muitos deles promíscua?
Se os meios de comunicação de massa em geral e as mais diversas instituições sociais se negam a tarefa de divulgar a existência dos homossexuais de forma respeitosa e digna e os ignoram; se a legislação desse país ainda julga desnecessária ou um atentado contra a moral e os bons costumes da família brasileira o direito de manifestação livre de direitos constitucionais das pessoas homossexuais, não será a escola que irá abordar essa temática tão prematuramente e resolver o problema. Penso que essa campanha pura e simplesmente, sem o arcabouço da lei, sem o respaldo dos meios de comunicação, será nada mais do que um desperdício do dinheiro público e uma polêmica que poderá gerar mais discriminação e resistência por parte da sociedade em geral.
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